
Desenvolvimento de metodologia na pesquisa de minerais pesados na Bacia Mutum, Ariquemes/Rondônia vai auxiliar na calibração dos ensaios tecnológicos no reprocessamento dos rejeitos na jazida Bom Futuro.
À primeira vista a bacia de rejeitos representa ser um depósito de resíduo/sobras do processo de tratamento do minério. Mas para um geólogo, ela também pode ser lida como um novo potencial de jazida mineral, com novos desafios tecnológicos e novas possibilidades de aproveitamentos.
É justamente essa pergunta que está no centro da pesquisa de mestrado de Renato Muzzolon, sócio-proprietário do Grupo Avistar Engenharia e discente do Programa de Pós-Graduação em Geologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
No dia 6 de agosto, Renato apresentou parte dos resultados iniciais e da proposta de sua pesquisa durante o 29º Seminário de Pós-Graduação em Geologia da UFPR, realizado entre os dias 3 e 7 de agosto.
O estudo olha para um lugar bastante conhecido da mineração de Rondônia: a Jazida de Bom Futuro, em Ariquemes. Mas olha para ela por uma perspectiva diferente: o que pode ser recuperados nos materiais que, em algum momento do processo de beneficiamento, foram descartados como rejeitos?
Nos rejeitos da Bacia Mutum, estudos realizados anteriormente identificaram a presença de diferentes minerais pesados. Entre eles: cassiterita (estanho), ilmenita (titânio), monazita (terras raras) e zirconita (zircônio), estratégicos/críticos para diferentes cadeias minerais e industriais.
A questão, portanto, não é simplesmente saber se esses diferentes minerais estão ali. É entender onde estão, em que quantidade, como estão distribuídos e, principalmente, e quais estudos tecnológicos necessitam ser aplicados para identificar o processo adequado de recuperação.
É aí que entra a aplicação do conhecimento geometalúrgico.
Imagine que dois materiais tenham a mesma aparência, mas comportamentos completamente diferentes quando submetidos a um processo de beneficiamento. Para descobrir isso, não basta saber quais minerais existem. É preciso entender o tamanho das partículas, sua composição química, sua forma mineralógica, como estas variáveis estão associadas.
É isso que a pesquisa de Renato procura fazer.
O estudo integra informações de granulometria, composição química, mineralogia, textura e grau de liberação dos minerais para construir uma espécie de “mapa” das características dos rejeitos, para que se possa calibrar os ensaios tecnológicos de bancada de forma que se possa atingir melhores resultados na forma de recuperar este material descartado.
A pesquisa considera dois diferentes ambientes de acumulação de rejeitos dentro da Bacia Mutum: os materiais arenosos, mais próximos das plantas de tratamento, e os materiais mais finos, que foram se depositando em áreas mais distantes.
Essa diferença é importante porque os minerais não necessariamente se distribuem em uma geometria uniforme. Assim como a corrente de um rio separa e transporta partículas de diferentes tamanhos e pesos, os processos de beneficiamento e deposição também podem produzir diferentes concentrações e associações minerais.
A partir dessa caracterização, o estudo poderá contribuir para calibrar os ensaios tecnológicos de processamento em bancada: métodos gravíticos, separações magnéticas, separações eletrostáticas, informações básicas para decisões relacionadas à engenharia de processos e à recuperação de minerais de interesse.
A pesquisa ainda está em andamento. Há etapas de campo, análises laboratoriais e interpretação de dados a serem realizadas. Mas existe uma ideia particularmente interessante por trás dela: um rejeito não precisa ser necessariamente o ponto final de uma história mineral. Dependendo do que existe dentro dele e de como esses materiais estão organizados, aquilo que foi descartado em uma etapa pode representar uma nova possibilidade em outra.
Foi essa pesquisa, ainda em desenvolvimento, que Renato apresentou no seminário da UFPR, aproximando a universidade de um problema concreto da mineração em Rondônia.
O trabalho conta com o apoio da Coopersanta, que disponibiliza dados, logística e suporte para as atividades de campo e análises laboratoriais. Para o Grupo Avistar Engenharia, essa aproximação entre pesquisa científica, conhecimento geológico e aplicação prática representa uma forma de olhar para a mineração a partir de novos questionamentos.























































