
Rondônia já ocupa posição de destaque na mineração brasileira pela produção de estanho. Agora, uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Geologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) indica que parte desse mesmo território pode guardar outro recurso estratégico para a economia mundial: os elementos terras raras.
Foi justamente em busca de compreender melhor o potencial desses elementos em Rondônia que Rafael Riker, geólogo do Grupo Avistar Engenharia, desenvolveu sua dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Geologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Defendida recentemente, sob orientação do professor Guilherme Hoerlle, a pesquisa investigou a ocorrência de elementos terras raras no Gráben do Rio Preto, em Ariquemes (RO). O trabalho identificou concentrações consideradas promissoras para esse tipo de ambiente geológico.
Da prática profissional à pesquisa científica
A decisão de ingressar no mestrado nasceu de um desejo antigo de voltar à universidade. Segundo Rafael, a ideia surgiu após participar de um minicurso de Geoquímica Aplicada na UFPR. "Quando voltei ao ambiente universitário, senti vontade de retomar a pesquisa científica. Procurei um orientador porque queria voltar a estudar”, conta ele.
A definição do tema veio logo em seguida. Durante conversas com o geólogo Renato Muzzolon, sócio-diretor do Grupo Avistar Engenharia, Rafael percebeu que havia uma oportunidade. Existia um conjunto expressivo de dados geológicos produzidos no Gráben do Rio Preto, uma área ainda pouco estudada sob a perspectiva dos elementos terras raras. "Como esse é um dos assuntos mais importantes da mineração atualmente, achei que seria interessante unir duas coisas: meu interesse pela pesquisa científica e a possibilidade de contribuir para ampliar o conhecimento sobre uma região que ainda apresenta muitas lacunas”, disse.
Uma viagem geológica de mais de um bilhão de anos
Para investigar essa hipótese, Rafael analisou aproximadamente 715 metros de testemunhos de sondagem, além de amostras de solo e rocha provenientes do Gráben do Rio Preto.
Os resultados revelaram concentrações médias de aproximadamente 430 partes por milhão (ppm) de elementos terras raras, com intervalos que atingem cerca de 1.600 ppm, valores considerados expressivos para esse tipo de depósito.
A pesquisa demonstrou que os maiores teores estão associados a antigos conglomerados - rochas formadas por antigos rios de alta energia - indicando que a distribuição desses minerais segue um controle geológico bastante definido, e não ocorrem de forma aleatória.
Segundo o pesquisador, esses rios concentraram minerais pesados resistentes, especialmente a monazita, proveniente da erosão dos granitos da Suíte Intrusiva Santa Clara, naturalmente enriquecidos em elementos terras raras.
Ao longo do tempo, o intenso intemperismo tropical característico da Amazônia também contribuiu para enriquecer parte desses elementos nos solos e no saprolito, processo semelhante ao observado em importantes depósitos explorados atualmente na China.

Novos caminhos para a exploração mineral
A Província Estanífera de Rondônia possui reconhecimento internacional pela produção de cassiterita, principal minério de estanho. A pesquisa, entretanto, mostra que esse patrimônio mineral pode ser ainda mais diverso. E os elementos terras raras aparecem como um importante potencial associado aos sistemas já conhecidos, ampliando as possibilidades de estudos futuros e contribuindo para uma visão mais integrada do potencial geológico da região.
Segundo Riker, isso não significa que exista uma mina economicamente viável já comprovada. "Encontramos resultados bastante promissores, mas ainda são necessários novos estudos para avaliar continuidade lateral, volume mineralizado e viabilidade econômica”, enfatiza.
Essa cautela faz parte do próprio método científico. Antes de qualquer empreendimento mineral, são necessárias diversas etapas adicionais de investigação geológica, modelagem dos depósitos, estudos econômicos e licenciamento ambiental.
Ciência aplicada ao desenvolvimento regional
Além dos resultados científicos, a pesquisa reforça a importância da aproximação entre universidade e setor produtivo. A experiência acumulada em trabalhos de campo forneceu elementos fundamentais para a construção das hipóteses investigadas no mestrado, enquanto o ambiente acadêmico permitiu aprofundar análises laboratoriais e interpretações geológicas que podem beneficiar futuras pesquisas na região.
Apesar da conclusão do mestrado, muitas perguntas ainda permanecem abertas. Será necessário compreender, por exemplo, a extensão lateral dessas mineralizações, sua continuidade em profundidade e os processos tecnológicos capazes de viabilizar seu aproveitamento econômico.
Em um momento em que minerais estratégicos ganham importância para a transição energética global, pesquisas como esta demonstram que produzir ciência também significa produzir desenvolvimento. Cada trabalho acadêmico publicado amplia o conhecimento sobre o patrimônio geológico brasileiro e oferece novas ferramentas para uma atuação técnica mais qualificada.
Para o Grupo Avistar Engenharia, incentivar a formação acadêmica de sua equipe é parte desse compromisso: transformar conhecimento científico em soluções para o território, aproximando universidade, mercado e sociedade.






















































