Recentemente, ao revisitar o entorno da nossa sede no barrio Cajuru, em Curitiba, tivemos uma surpresa simbólica: estamos a poucos metros da Rua Engenheira Enedina Alves Marques, que homenageia a primeira engenheira negra do Brasil e a primeira mulher a se formar em Engenharia no Paraná.

Nascida em 1913, Enedina venceu diversas barreiras: estudou enquanto trabalhava como empregada doméstica e professora, enfrentou o racismo, a desigualdade econômica e a exclusão institucional, mas ainda assim concluiu Engenharia Civil pela Universidade do Paraná em 1945, como única mulher e única negra da turma.

Sua trajetória foi marcada por competência e coragem. Atuou na Secretaria de Viação e Obras Públicas, participou de projetos importantes como o Colégio Estadual do Paraná, a Casa do Estudante Universitário e a construção da Usina Capivari-Cachoeira, uma das maiores hidrelétricas subterrâneas do país, uma obra complexa e desafiadora para sua época.

Mesmo com grandes realizações, sua história permaneceu por décadas invisibilizada, como acontece com tantas mulheres e profissionais negros que transformaram o país sem receber o reconhecimento devido. Esse cenário começou a mudar nos últimos anos, com iniciativas acadêmicas, artísticas e educacionais que vêm resgatando e celebrando sua memória.

Hoje, Enedina está inscrita na cidade de forma permanente.


Desde 2023, ela recebeu uma estátua em bronze no calçadão da Rua XV de Novembro, no Centro de Curitiba, criando um espaço de convivência onde qualquer pessoa pode sentar ao lado dela e conhecer um pouco mais de sua história. A obra é do artista Rafael Sartori e representa Enedina serena, forte e confiante, como aparece em uma das raras fotos em que posa, a única mulher em meio a engenheiros homens, durante a construção da usina.

Assim como essa escultura, seu legado também ganha vida em salas de aula, pesquisas e projetos de educação científica, como o “Meninas e Mulheres na Ciência”, da UFPR, que leva sua história para escolas e espaços públicos, ajudando novas gerações a ver que a ciência tem muitos rostos.

Neste 20 de novembro, celebramos essa memória. Celebramos Enedina
e renovamos o compromisso de reconhecer trajetórias que construíram o país, mesmo quando o país demorou a reconhecê-las.

Destaques

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